Domingo. Sol escaldante de quase meio-dia. Peguei minha motoca e resolvi dar uma olhada nos veículos disponíveis na feirinha do automóvel. Desde já chamo de “feirinha” porque ela foge daqueles padrões usuais. É realizada num terreno descampado num bairro vizinho, aqui perto de casa, no Jardim Morumbi, em São José dos Campos. E o estilo de carros que você vai encontrar ali é, na sua grande maioria, da classificação lata velha

É possível encontrar praticamente todos os tipos de automóveis por ali. Fusca, Gol, Passat, Chevette, Kombi, etc. Já vi também DKW, Fordinhos antigos, e um sem número de caminhonetes, motos e carros pela metade.

Cheguei, parei a moto, tranquei e fui dar uma olhadinha no que estava rolando. O som da música sertaneja revezava com o funk que saía das caixas de som que estavam sobre uma caminhonete meio que arriada. Várias barraquinhas, carrinhos de lanche e traillers dividiam o espaço da rua vendendo peças usadas, passando por CDs e DVDs (HAH!), até salgadinhos, churrasquinhos, caldo de cana, refrigerantes e cervejas.

Fui até o mais próximo, comprei uma cervejinha em lata e fui dar uma olhada nos carros.

Particularmente, até pelo meu tamanho (1,90m de altura), estava à procura de um Maverick ou um Opala. Do estilo clássico. Antigão mesmo. De preferência da década de setenta pra trás.

Já tive um Fusca 72 que eu adorava e reformei inteirinho, juntamente com meu pai. Então não seria novidade nenhuma adquirir um carro que tivesse algumas (muitas) coisas para fazer. Até porque isso serviria pra dar uma quebrada no preço…

E então, bem no meio da feira, lá estava ele. Não houve nenhum momento divino, as nuvens não se abriram para jogar um raio iluminado sobre o veículo, ele não estava brilhando… não, nada disso. Entretanto era um Opala e eu possivelmente estava procurando um Opala.

Dei uma olhadinha, no geralzão parecia que até estava mais ou menos razoavelmente um pouco talvez que bom. O preço? R$3.300,00. Bem, preciso dar uma olhada por dentro, ver o motor, etc. E cadê do dono?

Fui até o sistema de som da feirinha (aquelas caixas sobre a caminhonete, lembram?) e pedi para que o proprietário do veículo aparecesse. Deu certo. Conversamos um pouco, vi a documentação – em dia e no nome dele mesmo – olhei o carro por dentro (é, não era lá grande coisa) e pedi para que ligasse o motor.

Praticamente enfiei a cabeça debaixo do capô para ouvir bem o ronco do bichão. Suave. Tranquilo. Constante. Sinceramente, melhor do que eu esperava…

Conversamos mais um pouco, regateei mais um pouco ainda, e chegamos a três contos. Redondo. Poderia até ser menos? Poderia. Mas achei que seria o justo. Combinamos que eu ligaria no dia seguinte para dizer sim ou não, mas que – com certeza – ligaria.

Com esse quase negócio concluído, peguei outra cervejinha e fui olhar sem compromisso outros carros e curiosidades. Mas, intimamente, já tinha começado a fazer planos para a reforma do carro. Faltava só dar os detalhes para a Dona Patroa e aguentar o tranco…

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