Chevrolet Opala, Uma História de Grande Sucesso

(Matéria obtida no site do Clube Opaleiros Curitiba).

Até 1967, a GMB só produzia camionetes e caminhões, mas em 1966, no dia 23 de novembro, em uma coletiva à imprensa no Clube Atlético Paulistano, na capital paulista, a GM anunciava o iní­cio do Projeto 676, o futuro Chevrolet Opala. Aí­ então começou os planos e estudos do primeiro carro de passeio nacional produzido pela GMB. 676, esse foi o nome-código de um dos carros nacionais com maior tempo de produção, o Chevrolet Opala, com 23 anos de produção e puro sucesso. O Opala foi derivado de um projeto alemão, o Opel Rekord C, lançado em 1966 na Alemanha.

O Chevrolet Opala foi lançado em 19 de novembro de 1968 no 8º Salão do Automóvel Brasileiro. Inicialmente o Opala foi apresentado na versão de 4 portas, nos modelos De Luxo e Especial, o motores disponíveis eram de origem americana, com duas opções: um quatro cilindros de 2500cc e um seis cilindros, inicialmente de 3800cc.

A carroceria de quatro portas contrariava o gosto reinante na época, francamente voltado para modelos de 2 portas. Era um carro moderno, pois havia surgido na Alemanha há pouco tempo.

Em 1970 a linha Opala ganha novas cores, agora metálicas, Nesse ano a GM começa o projeto do Opala cupê, um Fastback de linhas clássicas e esportivas, porém, a GM escondia e negava o projeto, mesmo já tendo seis carros prontos em sua fase final de teste, todos amarelos com teto em vinil preto. Dois anos depois seria a estréia do Opala cupê.

Em 1971, o Opala ganhou a opção de um novo motor de seis cilindros, com 4100cc, que o acompanharia até o final da produção e iria para o seu sucessor, o Omega e até a Pick-up Silverado. Esse motor de 4100cc, equipava inicialmente, a versão esportiva SS e a luxuosa versão Gran Luxo. Ainda em 71, o carro recebeu câmbio de quatro marchas com alavanca no assoalho, freios a disco na dianteira e bancos dianteiros individuais, itens disponíveis somente para a versão SS e Gran Luxo.

Em 1972, surge a versão duas portas para toda a linha. Sendo assim a versão SS de 4 portas foi abolida, já que não trazia um estilo de linhas esportivas e sim clássicas. Então entra em “ação” a versão SS de duas portas, com um estilo de época, um verdadeiro Fastback. Neste mesmo ano teve adoção do motor de 4100cc para toda a linha Opala, e começaa o novo projeto da GM, a Opala Caravan, mas que só chegaria ao mercado no ano de 1975. Para 73, a grade dianteira foi redesenhada, os piscas dianteiros passaram a ser ao lado dos faróis. A versão SS ganha novas cores e novas faixas esportivas. Ainda em 73 a Envemo começou a produzir o Opala/E, um Opala cupê com rodas especiais, grade especial, interior com volante e instrumentos especiais, isso sem contar o motor que podia receber vários estágios de preparação. Em 74 surgem novas cores, novos acabamentos e novos opcionais. Ainda para esse ano foi lançado um novo motor. Tratava-se de um quatro cilindros que iria substituir o velho e “arcaico” motor 153, sendo esse novo motor o 151 de 89cv e o 151-S de 97cv. Ainda nesse ano chega a novidade da transmissão automática para os motores de quatro cilindros. Ainda nesse ano a GM volta com o projeto Opala Caravan e já vem pensando no Opala Pick-up, porem a Caravan chegaria no ano seguinte e o Pick-up não viria a ser produzido. Nesse ano o Opala entrava na casa dos 300mil veículos produzidos.

No ano de 1975 aparece a linha Opala de cara nova, nova frente, nova traseira, novo interior, novos estilos de acabamentos, novos opcionais, novas cores e ainda novos modelos. Chega ao mercado a perua Caravan, descendente da linha direta da linha Opala, que já em 1976 conquistaria o tí­tulo de carro do ano. Na Europa a Caravan também existia com quatro portas, mas que por aqui teve apenas duas.

No mesmo ano, é lançada a nova versão “top” de linha, o Chevrolet Comodoro sedan e cupê, ambos com motores de seis cilindros, ar-condicionado e direção hidráulica como itens de linha para essa versão, ficando como item opcional somente a transmissão automática. A versão SS teve nova reestilização de pintura para esse ano. Nesse ano acontece um lançamento de peso, que foi o lançamento da novidade do motor 250-S, um 4100cc “vitaminado” de 169cv, com volante do motor mais leve, comando de válvulas com maior ângulo, tuchos mecânicos e carburado com uma lendária Weber DFV 446. O famoso e lendário 250-S, foi uma iniciativa dos pilotos Jan Balder e Bob Sharp, que já estavam “cansados” de andar atrás dos “temidos” motores V8 302, que equipavam o Ford Maverick. Após essa iniciativa os Opalas nunca mais andaram atrás dos 302. Esse motor era um opcional para a versão SS e Comodoro.

Em 1976 a linha Opala continuava a mesma, porém sempre com inovações técnicas em sua motorização e itens de segurança. Novamente o SS ganha nova pintura, agora mais esportiva que no ano anterior.

Em 1977, a linha Opala teve um empobrecimento para a versão Comodoro, que perdeu seus itens de linha para itens opcionais, já que no ano anterior a linha tinha somente a transmissão automática como opcional, agora para ter motor de seis cilindros, direção hidráulica e ar-condicionado era preciso pagar a mais. A versão Comodoro começava a sair com motor de quatro cilindros como item de linha.

Para o ano de 1978, chegam novidades de alto peso, sendo o lançamento da esportiva Caravan SS-4 e Caravan SS-6 e também a nova versão do Comodoro e De Luxo, a versão Château que trazia um interior todo na cor vinho. Outro lançamento de peso foi a novidade do motor 250-S, que agora estava disponível para toda a linha Opala. Em 1979, a linha Opala continuou a mesma, porém, mais uma vez a versão Comodoro teve um empobrecimento, perdeu alguns detalhes, como os apliques internos em Jacarandá, painel em Jacarandá, frisos do painel traseiro, borrachões de pára-choques, detalhes nos bancos, e a tampa de combustível foi mudada, agora não trazia mais a escrita Chevrolet Comodoro. Ainda nesse ano, a GM fez seu novo projeto, o Chevrolet Diplomata, um cupê dourado com meio teto em vinil preto, porém, o carro foi somente um protótipo, a versão definitiva viria em 1980.

Em 1980, mais um pesado face-lift (uma “reforma” de estilo). A frente recebe faróis retangulares com lanternas nas extremidades dos pára-lamas, uma tendência na época, e as lanternas traseiras se tornaram retangulares e maiores. O Diplomata, que havia sido apresentado informalmente em 79, agora chega em 80 com a versão definitiva. Neste mesmo ano a versão SS ganha nova pintura e dá seus últimos suspiros. Assim acaba a saga da versão esportiva SS, mas em grande estilo.

Em 1981, a linha Opala ganhava pequenas modificações, como frisos em volta das lanternas dianteiras e traseiras nas versões mais luxuosas, e um painel de instrumentos redesenhado, muito mais moderno. Nem poderia ser diferente, pois o painel encontrado até 80 era praticamente o mesmo desde o lançamento do carro, em 68. Ainda nesse ano inicia-se a venda do motor quatro cilindros movido a álcool, porém o mais esperado era o motor de seis cilindros a álcool, que deveria – pela taxa de compressão mais alta – “andar” melhor. Este, porém, só chegaria quatro anos depois. Nesse ano a Concessionária Dipave de Curitiba-PR, começou a fabricar o Opala Summer, ele era um Opala Comodoro cupê conversível, com rodas especiais e pára-choques de plástico alongados.

Em 82, a linha ganha mais um modelo, o Opala e Caravan Silver Star. O Opala e Caravan com motores de quatro cilindros passaram a ter disponí­vel o câmbio de cinco marchas. Até 1984 a linha Opala não sofreu mudanças, a não ser a adoção de um novo padrão interno na cor tabaco. Apesar desse ano não ter tido muitas novidades, houveram coisas bem interessantes que aconteceram. Uma delas foi a fabricação de uma Caravan de cinco portas, associando as quatro portas do sedan na carroceria da perua foi fabricada, essa façanha foi da Concessionária Guaporé de São Paulo-SP.

Em 1985 aconteceram novas mudanças, como lanternas traseiras redesenhadas, adoção de faróis auxiliares entre a grade e os faróis, nova grade, rodas, calotas, capa de volante, caixa de instrumentos do painel (“cluster”) etc. Além disso, a Caravan ganhou a versão Diplomata, e o motor seis cilindros começou a ser produzido também a álcool. Neste mesmo ano chega a linha Opala a pintura em dois tons, mais conhecida como saia-e-blusa.

Em 1886 a linha Opala perde a opção do motor de 250-S, sendo assim ficou disponível somente o 4100 “normal” movido a gasolina e a álcool. Para 1987 a linha permaneceu a mesma.

Em 88, novo pacote de mudanças de estilo, com faróis, lanternas, volante e rodas remodelados, além da introdução da regulagem da coluna da direção em sete posições e o lançamento da transmissão “Automatic-4”, que agora contava com quatro marchas, essa transmissão era opcional para o Diplomata e Comodoro com motores de seis cilindros. Nesse ano volta a sensação do interior vinho para a versão Diplomata. Em meados desse ano, o Opala cupê (duas portas) se despede do público e acontecem pequenas mudanças mecânicas: O eixo cardan passa a ser bi-partido e a suspensão dianteira recebe novas buchas e bandejas. Neste ano as empresas Envemo, Sulam e Avallone, produziam os Opalas Limusine, este, feito para atender as pessoas saudosas do Ford Landau. O tamanho entre os eixos da Limusine variava, tinha as de 30cm feitas pela Envemo, as de 50cm feitas pela Sulam e as de 100cm feitas pela Avallone.

Em 1989 a linha Opala ganha novos retrovisores, com pé mais largo e moldura de acabamento, novas lanternas de cor fumê para o Opala e Caravan da versão Diplomata.

Em 1990 a linha Opala continuava a mesma, sofrendo somente a retirada de um pequeno detalhe, o jogo de frisos que contornavam as lanternas traseiras, e chegada do completo sistema elétrico para a versão Comodoro, que antes era só disponível para o Diplomata.

Em 1991 a linha Opala sofre derradeiros retoques. Nesse ano, numa tentativa de estender um pouco a vida do carro, os velhos pára-choques de chapa de aço deram lugar a outros, desta vez eles eram envolventes e de material plástico. No Opala, os quebra-ventos deixaram de existir, muito embora continuassem na Caravan até o fim de sua produção. A direção hidráulica passou a ser a ZF Servotronic, comandada por processadores eletrônicos, equipamento que não estaria disponí­vel nem no sucessor do Opala, o Omega. Os freios traseiros passaram a ser a disco no Diplomata, e as rodas mudaram, foram adotadas rodas de aro 15″.

Em 92, a longa estrada percorrida pelo Opala estava chegando ao fim. Com a introdução da caixa de câmbio de cinco marchas Clark (CL2215) e apoios de cabeça vazados, o Opala vivia seus últimos momentos.

Nesse ano de 1992, surge uma série especial somente para o Opala Diplomata, a série foi chamada de Collectors, com produção limitada em 100 veí­culos, todos disponí­veis com câmbio automático. Essa série era destinada principalmente para os diretores da GM.

Às 14 horas do dia 16 de abril de 1992, o último Opala, um Diplomata “Collectors”, cor vinho perolizado e com interior em couro preto, junto com uma Caravan ambulância de cor branca, deixou a linha de montagem da GM em São Caetano. Era o adeus do Opala, depois de 23 anos de grandes sucessos e grandes marcas de vendas.

Esse último carro ainda se encontra na GM, esperando seu lugar no museu que a empresa pretende construir no Rio Grande do Sul, mas boatos dizem que esse carro foi doado para o Museu da Ulbra no Rio Grande do Sul.

Foram produzidos exatos um milhão de Opala, que fizeram história como um dos maiores sucessos da General Motors do Brasil e um dos maiores í­cones da indústria automobilí­stica do Brasil, que foi totalmente revolucionada com o lançamento do Chevrolet Opala.

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