Enfiando até o talo (os fios)

Como de praxe, as coisas andam meio devagar. Ao menos com o Titanic, porque eu ando ralando pra caramba com meus reassumidos trabalhos advocatícios licitacionais…

A novidade é que o chicote original já está novamente no seu devido lugar – algumas partes tiveram que ser reconstruídas, outras eliminadas e, com certeza, algumas ainda terão que ser criadas. Mas como eu sou um cara que sempre gosta de definições, vejamos uma para o chicote, que roubartilhei daqui:

“Os chicotes elétricos automotivos constituem um conjunto de cabos que transporta a energia aos sensores e aos vários sistemas de um veículo. A principal função dos chicotes elétricos automotivos é conduzir eletricidade. Apesar disso, os chicotes elétricos automotivos não servem apenas para gerenciar o suprimento de energia, como também para transferir informações a fim de integrar todo o sistema. Como os chicotes elétricos automotivos são extremamente complexos, a fabricação deles demanda, inclusive, trabalho manual.”

Como eventualmente dizem que a bateria é o “coração” da parte elétrica dos automóveis, então poderíamos dizer que o chicote é o “sistema nervoso” do veículo…

Enfim, o chicote já está onde deveria estar e, pelo que o japonês me contou, deu um trabalho do cão para levá-lo para parte de trás do Titanic. Provavelmente muitas das “passagens naturais” acabaram sendo obstruídas pelas soldas e reformas que foram feitas sem o chicote instalado…

Mas o que interessa é que a parte elétrica de fato começou a ser reinstalada!

Desde o começo, fazendo ligação com o painel…

… atravessando o “cofre” e ficando no ponto para a conexão com setas, faróis, etc…

… até a parte de trás, já estando prontinho para conexão das lanternas e setas traseiras.

Aliás, acabei esquecendo de registrar por aqui: o outro paralama também já está devidamente instalado…

E o nosso amado Titanic cada vez mais vai voltando a adquirir aquela imponência característica de um legítimo representante da linha dos Opalas!

Disjuntando os pedaços

E eis que ontem à noitinha, depois de um dia pra lá de cansativo – pois fui acompanhar meu pai numa consulta junto ao Pronto Socorro Municipal (levou SÓ seis horas!) -, eis que finalmente consigo chegar em casa… Rotina de sempre: parar o carro em frente ao portão, puxar o freio de mão, descer do carro, entrar pelo portãozinho lateral, acender a luz da garagem (Ué? Não acendeu…), abrir o portão maior, engatar a primeira, entrar com o carro, fechar o portão, etc, etc, etc.

Voltei ao interruptor. Meio bambo, mas sempre foi assim. Esquisito. Acho que deu defeito. Amanhã cedo eu troco.

Foi então que percebi que o carro do meu sogro estava com o capô aberto. O que só poderia significar uma coisa: ele estava tentando fazer algo e (pra variar) não deu certo.

Subi as escadas e já fui ter com os filhotes:

– Então, pai. Nenhuma das tomadas de casa tá funcionando. A gente liga o disjuntor mas desarma…

Fui dar uma conferida no conjunto: temos um par de disjuntores para lâmpadas (10 amperes), outro par para tomadas (um de 25 e outro de 30 amperes, não sei o porquê – um dia desses ainda arrumo essa bagaça) e um terceiro para o chuveiro (50 amperes).

O das tomadas estava desarmado.

Liguei.

Fumaça e desarme imediato!!!

Bão, não tinha jeito. Ao que parece alguma coisa devia ter “fritado” um dos disjuntores e a melhor saída já seria trocar o par de uma vez…. Ao menos o resto da casa estava funcionando (fora as tomadas da parte antiga – onde também está ligada toda a garagem). Somente no dia seguinte pra comprar isso…

Pausa para os leigos – entenda como funciona o sistema elétrico de sua casa. São dois os conceitos a serem compreendidos: Voltagem (tensão) e Amperagem (corrente). Em termos bem simples, imaginemos que a energia elétrica fosse como o seu encanamento d’água. Não o seu, o da sua casa. A voltagem seria a quantidade de água consumida por cada aparelho, ou seja, numa tubulação com fluxo constante de água, sua televisão, que consome mais (220V), teria que ter uma torneira bem larga à disposição; já para carregar seu celular, que consome menos (5V), bastaria uma torneirinha pequenininha, praticamente um conta-gotas. Como nesse exemplo o fluxo de água é constante, caso precise de mais energia então terá que instalar um cano mais largo. Já a amperagem diria respeito à pressão da água. Isto é, ainda que meu encanamento garanta que consigo encher um balde de 220V, talvez as especificações daquele equipamento, digo, balde, determinem que ele tenha que ser enchido rapidamente, ou seja, com uma pressão d’água maior. O problema todo começa se eu tiver pressão demais (muita amperagem) e o encanamento começar a estourar! Daí me surge a figura do disjuntor (ou, em casos mais antigos, do fusível) que tem a função de cortar toda a água do sistema de encanamento antes que tudo fique ferrado demais e o balde transborde, a televisão queime, a torneira arrebente, o celular exploda, a água se espalhe, a casa fique em chamas… Basicamente é isso. Sei que tá meio confuso, mas sou advogado, não eletricista, então o que é que vocês esperavam?

Cai o pano, fecha a noite, corta para o dia seguinte.

Seizevintecinco da manhã é o horário que, de segunda a sábado, eu saio de casa para levar o filhote do meio para escola. Nem antes, nem depois. Nesse ritual diário, quando ainda sequer amanheceu direito, eu desço para a garagem, acendo a luz (catzo, esqueci que não tá acendendo), abro o portão, entro no carro (melhor acender o farol, já que tá escuro), engato a ré, ponho o carro pra fora e…

PÉRAÊ!!!!

Dei uma olhada no carro do meu sogro e de relance percebi algo que não deveria estar ali. Tinha alguma coisa errada com esse negócio…

Desci e fui conferir de perto, sob os veementes protestos do filhote que achava que a gente ia acabar se atrasando para a escola. Garanti-lhe que não, que era só um minutinho, mas que precisava entender o que eu tinha visto.

Que raio de tomada é essa? Será que ela ainda estava ligada em alguma coisa que estivesse “fechando curto”? Se fosse assim o disjuntor não estaria desarmando porque tinha pifado, mas simplesmente porque ainda estava cumprindo sua função! Bastaria desligar o que quer que essa tomada estivesse alimentando e o disjuntor voltaria a armar normalmente. Mas, vejamos onde esse fio vai dar…

NÃO, NÃO, NÃO! Eu simplesmente não acredito! Isso não pode ser o que estou pensando! Ele não faria isso, não, não faria. Quer dizer, se aquele fio elétrico estava ligado num cargo de transferência de carga (mais conhecido como “cabo chupeta”), TINHA que ter um transformador no meio do caminho; aquilo não poderia estar ligado direto na bateria. Afinal de contas 220V da tomada não é compatível com 12V da bateria do Gol! Seria como abrir uma torneira de jardim no máximo para tentar encher um copinho de café. De plástico. Do vagabundo!

MÈRDE.

Era.

ODESINFELIZDOMEUSOGROFEZDENOVO!!!!!!!

Bastou, literalmente, tirar o plug da tomada e todos os problemas acabaram…

Menos o meu.

Apesar de tudo, tenho ABSOLUTA CERTEZA que vai acabar sobrando pra mim ter que providenciar a carga da desgraçada dessa bateria!

SE der carga… o_O

A diferença que um macho faz na vida de alguém…

ÔPA, ÔPA, ÔPA!!!

Não é nada disso que vocês estão pensando!!!

Vamos parando por aqui, tá bom?

Melhor explicar essa bagaça direito…

Vamos lá. Segundo a Wikipédia: “Machos são ferramentas que têm a função de gerar roscas internas em furos para o rosqueamento de parafusos, fusos ou prisioneiros. Essas ferramentas são fabricadas de aço-rápido temperado e retificado que apresenta em seu corpo filetes de rosca padronizados com canais longitudinais ou helicoidais, cuja função é alojar os cavacos originados pelo processo. A norma NBR7260 define a terminologia empregada nos machos para roscar.”

Ou seja, para resolver o problema daquelas roscas entupidas que vimos na última postagem, somente refazendo-as com a ajuda dessa ferramenta.

Entenderam agora, ô cambada de hereges?

Pois bem. Como sempre, fui no único lugar do universo em que é possível encontrar todas as ferramentas do mundo: na casa de meu pai. É lógico que ele não só tinha a ferramenta como também exatamente na medida que eu precisava. E com um plus! É que em vez de utilizar uma chave de boca para girar a ferramenta (e só vou chamá-lo assim porque é meio esquisito ficar escrevendo “macho” toda hora…), meu pai construiu uma outra ferramentinha específica só pra facilitar o trabalho! Como o jogo de machos vem com três unidades – uma para começar a abrir uma rosca do nada, outra pra dar o contorno inicial e uma terceira para finalização – peguei somente a última, pois as roscas já existiam, só precisavam se lembrar de como já foram um dia…

Bastou começar a rosquear levemente para ele encontrar os sulcos que ainda estavam por ali…

…e já na sequência, tendo atravessado, a rosca voltou ao seu estado original!

E a melhor maneira de comprovar isso é simplesmente rosqueando na mão um parafuso na rosca recém descoberta. Aliás, parafuso novo, que não sou besta. Ficou perfeito!

Então agora, com as roscas devidamente recuperadas, a fixação do paralama seria bem mais fácil. Como em casa, sem contar o Gol do meu sogro, ainda temos dois outros carros, o Bilbo, um Ford Ka que eu uso, e a Madame Zafira, que fica sob os cuidados da Dona Patroa, achei por bem usar o carro dela para o transporte da peça. A bem da verdade o espaço interno da Zafira, mesmo sem deitar os bancos, é infinitamente maior que o do Ka, mesmo com todos os bancos deitados…

O encaixe ficou perfeito! Contudo o trabalho maior ficou por conta daqueles parafusos ali de cima, do “nariz” do paralama, já que o espaço é minúsculo não só para um caboclo de mãos grandes como eu, como até mesmo para o manuseio de uma chave de boca. Mesmo as chaves cachimbo ou com catraca não encontram espaço suficiente ali para se mexer. Ou seja, com pequeninos movimentos de rosqueamento e constantes viradas (e derrubadas) da chave de boca, o marmitão aqui levou mais de uma hora para fixar somente esses dois parafusos… Isso sem nem falar das cãimbras e esfolados na mão e o joelho que doía. Mas este sou eu reclamando da vida e vocês não estão aqui pra saber disso, estão aqui é pra saber de Opala, então vamos prosseguir com o que interessa.

Como eu havia dito, todos os parafusos e presilhas são novos, o que juntamente com a pintura perfeita do Titanic já dá uma aparência muito bacana!

E assim, lentamente, temos que ele começa a retomar sua forma original…

Tudo novamente fixo e justinho, estando onde deveria estar!

Vamos combinar: êita carrão bonito, né?

Bão, depois de colocar o outro paralama, poderemos voltar à instalação das setas…

Resetando o procedimento

Parece que a instalação dessas setas – ou, caso prefiram sua denominação formal, “repetidores laterais de direção” – vai dar mais trabalho do que eu imaginava… Não necessariamente pelo estado de (quase) decomposição em que se encontram, pois pra tudo a gente dá um jeito. Nem que seja na cola e na fita isolante!

Até mesmo o parafuso de fixação carcomido e espanado que eu extraí foi passível de substituição por um novinho em folha…

E mesmo os paralamas (um deles aí no fundo da foto) já vão ser fixados com presilhas também novinhas. O que eu acho que vai me dar trabalho vai ser o ajuste do conjunto todo, pois além de o Titanic ter ficado anos no estaleiro, também tenho que levar em consideração todos os serviços que já foram feitos e outras adaptações que ainda terão que ser feitas. Isso tudo só porque estava avaliando a condição das roscas do paralama… Mais adiante eu explicarei melhor – só que, para isso, vamos ter que sair da minha garagem e fazer uma visitinha lá na oficina.

Êita japonês! Ainda tá cuidando da reconstrução do chicote e não deu início à instalação do painel ou mesmo das lanternas e setas traseiras que eu já trouxe…

Pois bem, aqui é que sinto que teremos problemas. Além das presilhas que vão por toda a parte de cima do paralama – e mais três ali na parte de baixo – também temos estes furos que acompanham a curvatura do farol e para os quais são utilizados outro tipo de parafuso, diferente dos de rosca soberba das presilhas. Mais especificamente, conforme o Catálogo de Peças e Acessórios da Chevrolet, é um parafuso com cabeça sextavada de 6 x 15mm, com arruela.

E, também, um pouco mais para cima, já no “nariz” do paralama, temos mais estes dois pontos de fixação.

Vejam bem de pertinho o estado que se encontra a rosca da lataria. Ela ainda está lá, mas qualquer parafuso que for colocado ali vai entrar “rasgando” tudo. Ou, pior, espanando o próprio parafuso!

Nete close do close dá pra ver que em alguns casos a rosca nem aparece mais, pois está com camadas de ferrugem, tinta e sabe-se lá mais o quê a lhe entupir os sulcos.

É.

Antes de prosseguir com a instalação das setas é necessário resolver esse problema.

Vou precisar de um macho.

Seguindo a seta

Naquele nosso ritmo de sempre, o próximo passo seria a instalação das setas dianteiras. Pra isso seria necessário buscar os para-lamas lá na casas de meu pai, já que o conjunto tem que estar montado para poder colocar cada peça no seu devido lugar.

Agora não tem jeito. O negócio é arregaçar as mangas e dar início à “operação limpeza”. É pegar o que estava deste jeito…

…para deixar deste outro jeito!

Assim como fiz com o painel, também tinha algumas setas usadas sobressalentes para que eu pudesse ter mais algumas opções quando fosse fazer a montagem. Se bem que o estado geral de conservação – tanto das originais quanto as que eu comprei usadas – está pra lá de sofrível! Vamos ver se vai dar rock’n roll…

Painel a granel

Desencaixotando o que estava encaixotado – e parte primordial nessa fase da parte elétrica – fui resgatar os painéis do Titanic.

Sim, painéis. No plural.

Isso porque o painel original, o marron, já estava pra lá de detonado.

Então que fiz eu? Já há um bom tempo consegui encontrar num desmanche um painel que não estava lá essas coisas, mas ao menos estava bem melhor que o que eu tinha. E melhor: preto. Já que mudei a cor do carro do antigo bege-café-com-leite-sem-graça para o novíssimo laranja-ói-que-fudidão, então todos aqueles detalhes da cor marron teriam que ser substituídos. A começar pelo painel.

O primeiro passo, após a completa desmontagem de ambos, seria uma bela de uma lavagem completa – pois, além da sujeira natural acumulada enquanto estavam instalados, anos de pó numa garagem fechada não ajudou em muita coisa na conservação.

De igual maneira, todos os pequeninos componentes de ambos também foram devidamente limpos…

O negócio agora seria aproveitar o melhor de cada um deles. A placa de circuito impresso original estava praticamente intacta, ao contrário daquela do painel que adquiri, que estava um lixo!

Tudo que era passível de ser desmontado, o foi. Depois de uma minuciosa limpeza e escolha do que estava em melhores condições, o trabalho de remontagem foi prosseguindo passo a passo…

Tudo bem que minha bancadinha de trabalho não é lá das maiores ou das mais bem organizadas. Mas acaba comportando todo o ferramental essencial que eu preciso para trabalhar! 🙂

Menos, é lógico, o que seria necessário para testar as lâmpadas do painel antes de instalá-las… 🙁

Na falta de uma bateria ou de um transformador, pensei no básico do básico: um carregador de celular. Como no domingo sempre tem uma feirinha (não tão “feirinha” assim…) bem perto de casa, mais conhecida como “feira do rolo” – bem como por outros nomes não tão publicáveis -, e lá sempre tem dezenas e dezenas de carregadores velhos espalhados pelo chão, resolvi dar uma passada por lá e verificar se encontrava algum na voltagem correta de 12 volts. Nos primeiros dez passos já encontrei o que precisava. Dérreal. Negócio fechado. Já em casa bastou descascar os fios e testar lâmpada por lâmpada, separando as queimadas e dando um trato nas que acendiam.

Enfim, não demorou muito e o trabalho estava concluído!

E como não consegui (ainda) um conta-giros decente (ou um painel mais decente ainda) é ali do lado mesmo que vai ficar instalado o único que tenho. Pela foto pode até não parecer, mas ficou muito, MUITO, lindo este meu novo velho painel!